Guido van Rossum fala sobre o passado, presente e futuro do Python

Em comemoração do especial 100º podcast do canal Talk Python To Me, Michael Kennedy entrevista nada mais nada menos que o criador do Python, Guido van Rossum. Neste episódio é tratado sobre o passado, presente e futuro do Python.

Guido van Rossum estudou matemática na University of Amsterdam, naquela época conheceu as linguagens ALGOL 60 e Pascal. Ele lembra que toda a programação nos gigantescos mainframes eram feitos com cartões perfurados. Havia um grupo de estudantes de física cuja linguagem favorita era Fortran, então havia uma séria discussão sobre ALGOL, Pascal e Fortran.

Ele conseguiu o primeiro trabalho com o criador do ABC, Lambert Meertens. Guido estava ajudando voluntariamente um grupo de programadores como atividade extra curricular, por coincidência, Lambert também estava ajudando esse grupo, viu que Guido era um bom programador e percebeu que tinha um potencial. Guido foi trabalhar como implementador, mas não chegou a mexer com o desenvolvimento do ABC, pois estava praticamente pronto. Então, ficou 4 anos com o time ABC, mas isso o deixou angustiado e resolveu criar uma linguagem: Python.

Foi um processo bem complicado, na época não havia como disponibilizar o código fonte com os interessados, então ele carregava algumas fitas, isso mesmo, fitas magnéticas, e quem tinha interesse ele entregava a fita. Em 1991, Guido disponibilizou através do Usenet. Em relação ao licenciamento, Python já nasceu como Open Source, Guido copiou o modelo de licenciamento do MIT sobre o X11.

Atualmente, o Python se tornou muito popular e a comunidade está crescendo, até a área de ciência de dados está usando. Guido acha isso muito habilidoso, pois na época que o Python foi criado, não havia Web e nem Data Science. O sucesso do Python está na possibilidade de importar pacotes, só a página do PyPi.org têm mais de 96 mil pacotes, isso demonstra a força das comunidades.

Uma das discussões da entrevista foi a participação das mulheres nas comunidades Python, é um número pequeno.

Outro ponto foi a troca de versão de Python 2 para 3. Guido van Rossum simplesmente disse em uma conferencia que estariam caminhando pra frente e seria um caminho sem volta.

We’re moving forward. We’re not going back, you guys.

Mas, ele subestimou a popularidade do Python, o quanto de gente que programou releases antigas do Python 2, o quanto de documentação e manuais que deveriam ser atualizadas, o quanto de livros e websites de Python e as questões do Stack Overflow. Então eles tiveram que modificar o Python 3 para permitir a coexistência com o Python 2, pois haviam milhares de linhas de códigos em Python 2 que foram feitas por pessoas que não estavam mais nas empresas e que outras programadores estavam como responsáveis.

E finalizou a entrevista dizendo que ainda não há planos sobre a futura versão Python 3.7, talvez a remoção do GIL, mas é uma história muito complicada. Guido está contribuindo no Mypy, criação de Jukka Lehtosalo, um verificador estático de tipo, que já tem 4 milhões de linhas de código.

Veja a entrevista na integra: Talk Python to Me #100

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